Algumas
pessoas dizem que a Abramet é contra a motocicleta, isso
é verdade?
Nunca foi contra a utilização da moto, mas sim
contra a maneira de aplicação de um veículo
leve entre pesados e na maneira de conduzi-lo.
O que sugere então para mudar isso?
Em curto prazo fiscalização e punição
severa. Em longo prazo educação de trânsito
nas escolas durante todo período escolar, além
de cursos de formação mais abrangentes.
Existem projetos da Abramet para conscientizar novos
usuários de motocicleta?
Somos uma entidade que participa efetivamente de câmaras
temáticas onde é colocada a visão médica
em termos de redução das vítimas do trânsito.
Não temos ação direta sobre mudanças
na conduta dos órgãos públicos, mas de
longa data somos orientadores, damos consultoria, mostramos
a esses órgãos o custo do acidente. A conscientização
dos usuários da motocicleta é feita através
de palestras, seminários e congressos.
O sistema para a obtenção de CNH para
a motocicleta é correto?
Não, é precário. Porque não são
ensinadas e treinadas as condições adversas que
vai se encontrar no trânsito. É necessário
o treinamento em simuladores e posteriormente ir para pista
própria para colocar em prática tudo que foi treinado
no simulador.
Por que os Órgãos Públicos não
tomam como obrigatoriedade equipamentos de segurança
para pilotagem de motocicleta?
Acredito que o alto custo dos equipamentos de qualidade e eficiência
seriam fatores inibitórios. Toda máquina que oferece
risco tem que ter equipamentos de proteção. A
motocicleta não foge disso. Como disse, é uma
máquina de alto risco, onde as lesões são
mais graves e a morte iminente.
Em alguns países do mundo, existe uma obrigatoriedade
para as montadoras de motocicletas com uma contribuição
que é usada na educação e segurança
desses novos usuários.
Você acha que essa seria uma solução para
o Brasil também?
Claro, seria um complemento essencial. A montadora ou a concessionária
deveria ter cursos para cada tipo de veículo e mesmo
para educação continuada. O piloto de avião
que voa um teco-teco não evolui para outra aeronave sem
um curso específico sobre aquela máquina e vez
por outra é reciclado.
Você acha que os motoboys são vilões
ou vítimas no alto número de acidentes?
São as duas coisas. Não podemos aceitar que veículos
de massas diferentes possam transitar no mesmo espaço.
As motocicletas ocupam espaços “virtuais”
(atuam como vilões) em seguida viram vítimas.
Você acredita que a regulamentação
e profissionalização da categoria de motoboys,
os acidentes diminuirão?
Sim, não tenho dúvida, são atitudes necessárias
para se criar regras, doutrinarem profissionais e logicamente
sendo parte importante na redução dos acidentes.
Como a Abramet pode ajudar na conscientização
dos motociclistas profissionais vendo que o nosso setor representa
cerca de quatro milhões no Brasil?
De longa data temos ajudado através artigos publicados,
fórum, seminários, congressos, participação
ativa em sites especializados buscando doutrinar e conscientizar
todos com relação aos riscos a que são
submetidos e a prevenção que devem adotar.
Deixe
uma mensagem para todos do setor motofretista e também
para os contratantes de Serviços de Motoboys;
Caracterizo o trabalho de motofretista como extremamente penoso,
porque o homem nessa atividade dá mais do é capaz.
Coloca-se em risco a todo o momento além de ser submetido
a fatores de risco que os levam principalmente a doenças
degenerativas do sistema ósteoneuromuscular, comprometimento
do aparelho respiratório e distúrbios emocionais.Há
que se ter conhecimento de tais fatores de risco para que ações
preventivas sejam tomadas não só por parte do
trabalhador, mas também pela classe patronal assim como
por aqueles que contratam os serviços de rápida
entrega.