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À beira do caos

O médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, aos 67 anos ainda é movido pelo amor aos estudos. Atualmente pesquisa e desenvolve relatórios importantíssimos sobre a morbimortalidade na mobilidade humana. Sua especialidade nesse assunto está em tudo relativo aos acidentes que envolvem motocicletas. Na primeira entrevista de 2012 dessa editoria, trazemos um pouco da experiência, conhecimento e sugestões dele que também é chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET.


ENTREVISTA.

Algumas pessoas dizem que a Abramet é contra a motocicleta, isso é verdade?
Nunca foi contra a utilização da moto, mas sim contra a maneira de aplicação de um veículo leve entre pesados e na maneira de conduzi-lo.

O que sugere então para mudar isso?
Em curto prazo fiscalização e punição severa. Em longo prazo educação de trânsito nas escolas durante todo período escolar, além de cursos de formação mais abrangentes.

Existem projetos da Abramet para conscientizar novos usuários de motocicleta?
Somos uma entidade que participa efetivamente de câmaras temáticas onde é colocada a visão médica em termos de redução das vítimas do trânsito. Não temos ação direta sobre mudanças na conduta dos órgãos públicos, mas de longa data somos orientadores, damos consultoria, mostramos a esses órgãos o custo do acidente. A conscientização dos usuários da motocicleta é feita através de palestras, seminários e congressos.

O sistema para a obtenção de CNH para a motocicleta é correto?
Não, é precário. Porque não são ensinadas e treinadas as condições adversas que vai se encontrar no trânsito. É necessário o treinamento em simuladores e posteriormente ir para pista própria para colocar em prática tudo que foi treinado no simulador.

Por que os Órgãos Públicos não tomam como obrigatoriedade equipamentos de segurança para pilotagem de motocicleta?
Acredito que o alto custo dos equipamentos de qualidade e eficiência seriam fatores inibitórios. Toda máquina que oferece risco tem que ter equipamentos de proteção. A motocicleta não foge disso. Como disse, é uma máquina de alto risco, onde as lesões são mais graves e a morte iminente.
Em alguns países do mundo, existe uma obrigatoriedade para as montadoras de motocicletas com uma contribuição que é usada na educação e segurança desses novos usuários.

Você acha que essa seria uma solução para o Brasil também?

Claro, seria um complemento essencial. A montadora ou a concessionária deveria ter cursos para cada tipo de veículo e mesmo para educação continuada. O piloto de avião que voa um teco-teco não evolui para outra aeronave sem um curso específico sobre aquela máquina e vez por outra é reciclado.

Você acha que os motoboys são vilões ou vítimas no alto número de acidentes?
São as duas coisas. Não podemos aceitar que veículos de massas diferentes possam transitar no mesmo espaço. As motocicletas ocupam espaços “virtuais” (atuam como vilões) em seguida viram vítimas.

Você acredita que a regulamentação e profissionalização da categoria de motoboys, os acidentes diminuirão?
Sim, não tenho dúvida, são atitudes necessárias para se criar regras, doutrinarem profissionais e logicamente sendo parte importante na redução dos acidentes.

Como a Abramet pode ajudar na conscientização dos motociclistas profissionais vendo que o nosso setor representa cerca de quatro milhões no Brasil?
De longa data temos ajudado através artigos publicados, fórum, seminários, congressos, participação ativa em sites especializados buscando doutrinar e conscientizar todos com relação aos riscos a que são submetidos e a prevenção que devem adotar.

Deixe uma mensagem para todos do setor motofretista e também para os contratantes de Serviços de Motoboys;
Caracterizo o trabalho de motofretista como extremamente penoso, porque o homem nessa atividade dá mais do é capaz. Coloca-se em risco a todo o momento além de ser submetido a fatores de risco que os levam principalmente a doenças degenerativas do sistema ósteoneuromuscular, comprometimento do aparelho respiratório e distúrbios emocionais.Há que se ter conhecimento de tais fatores de risco para que ações preventivas sejam tomadas não só por parte do trabalhador, mas também pela classe patronal assim como por aqueles que contratam os serviços de rápida entrega.


   
     
 
   
 
   
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