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Siga em frente. Não
há vagas para estacionar.
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O
mundo mudou, o trabalho mudou, as pessoas mudaram. Há muito
não existe aquele conceito antigo de emprego, em que as
pessoas entram em uma empresa e ficam anos seguidos ali, muitas
vezes sem se preocupar com aprendizado, produtividade e satisfação
pessoal. Ficam estacionadas. Algumas crescem e mudam de vaga.
Outras se mantêm na mesmíssima posição,
com medo de se mover alguns metros adiante. Essa imagem acaba
parecendo com a de um estacionamento de carro, é verdade.
A função dos empregados, todo dia, é acordar,
se arrumar e seguir para o trabalho – como um veículo,
eles só funcionam quando alguém os dirige. Não
andam sozinhos.
A metáfora é exagerada, porque, claro, nem todas
as pessoas agem assim. Mas o resultado é que, nessas estradas,
quem se destacava – o carro mais eficiente, veloz e adaptável
ao “trânsito” – acabava sendo elevado
ao topo em menos tempo.
Hoje, com a competitividade do jeito que está, torna-se
necessário colocar muito mais energia, eficiência
e velocidade no trabalho. As empresas não têm mais
aquelas tantas camadas de reserva que tinham. Elas trabalham de
forma mais enxuta. O profissional que se integra ao time deve
saber que precisa se desenvolver e crescer no universo corporativo
– o crescimento é o único jeito de manter
a empregabilidade nos dias atuais.
Garantir a competitividade tem sido o lema de muitas empresas
que estão focando a atenção nos resultados
apresentados pelos funcionários. Como conseqüência,
o perfil do profissional ideal passou por mudanças. O que
se espera dos talentos agora é uma visão aguçada
dos negócios. Ter conhecimentos técnicos profundos
deixou de ser prioridade até para quem busca uma colocação
de CEO (Chief Executive Officer). O que as empresas querem são
profissionais que têm a combinação perfeita
de conhecimentos técnicos – suficientemente bons
para o desempenho de suas funções – com traços
fortes de liderança.
Mas, antes de tudo, esse líder tem de gostar e conhecer
o negócio no qual trabalha, ou seja, deve ter visão
estratégica e global do negócio, ser criativo e
manter bons relacionamentos com toda a equipe e com o mundo dos
negócios. Sintonia de valores éticos entre funcionário
e empresa, maturidade, habilidade de comunicação,
adaptabilidade e multifuncionalidade são as qualificações
exigidas, principalmente para cargos de gerência, diretoria
e presidência.
Como se vê, o talento dos dias atuais não é
mais o profissional totalmente dedicado a uma especialidade –
ele é multifuncional, ou seja, conhece um pouco de tudo
que é relevante para a empresa e sabe motivar e energizar
as pessoas a seu redor. Porém, o mais importante é
sua ampla visão de negócios. Sem ela, as chances
de conseguir um posto mais alto na hierarquia organizacional não
são nulas, mas mais difíceis.
A renovação do perfil profissional resulta das mudanças
ocorridas no relacionamento entre empresas e funcionários,
ligação que se tornou menos paternalista e passou
a valorizar o profissional mais autossuficiente. Mas também
não deixa de ser uma influência das mudanças
econômicas da ultima década, com a globalização
apontando para novos paradigmas e tendências.
Mas isso só ocorre com a média gerência e
cargos inferiores? De jeito nenhum. Mesmo os CEOs e outros altos
executivos estão nessa roda vida. Ninguém está
seguro na cadeira se não entregar os resultados demandados
pelos acionistas. Pesquisas internacionais revelam, por exemplo,
que a duração de um CEO no cargo oscila entre quatro
e sete anos. E nem acionistas que exercem cargos executivos na
empresa podem relaxar, pois correm o risco de serem ejetados pelo
Conselho de Administração.
Marcelo Mariaca é presidente do Conselho de
Sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School.
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