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Era uma vez a Cinderela... Do asfalto!

Seu nome de batismo é Carina Silva Costa, porém, é mais conhecida como Cinderela, a moto girl da grande Porto Alegre. Com idade de 28 anos, a gaúcha Carina é carismática, alegre e não perde tempo quando o assunto é trabalho, já que trabalha na profissão que, em sua maioria são homens, e destaca-se com muito carisma e conhecimento do que faz.

Ela é muito conhecida pelos motoboys e atua como autônoma na cidade, mas diz que a maioria dos profissionais de sua cidade trabalha dessa forma por que as empresas que lá existem, poucas são sérias e quase nunca registram seus funcionários, boa parte desses profissionais, trabalham no esporádico sem registro, por isso ela também prefere trabalhar por conta, e garante ter seus clientes e ganhos fixos. Admite que todos eles não hesitam em contratar seus serviços, pois ela afirma que existe uma ética e respeito por todos eles, quando se trata de tempo e preço por serviço realizado, diz que cobra o justo e que a honestidade é seu ponto forte quando o assunto é dinheiro.

Do signo de escorpião ela é fã da cultura afro brasileira, torce pelo grêmio que diz ser seu time do coração. Seu maior sonho é conhecer o continente africano, massas e doces são suas perdições na culinária, nas horas vagas passear de moto é o que mais ela gosta de fazer. Cercada de amigos pela net e no orkut, Carina é uma moça tranqüila, porém determinada, antes de ser moto girl, era manicure, e diz ter feito muitas amizades pelo seu trabalho, mas hoje como moto girl aprendeu coisas que não imaginava que aprenderia ao conhecer ruas e avenidas. “Quando comecei nesta profissão achava que pelo fato de ser mulher teria que ser diferente, então a primeira coisa que fiz foi comprar uma moto que combinasse comigo, depois dar um nome para ela, foi quando resolvi por o nome Cinderela, e até hoje sou conhecida por esse nome, que na verdade é o nome da minha moto, uma Honda Titan 125 KS vermelha com rodas pintadas em rosa e amarelo, mas jamais achei que iria ser reconhecida com esse nome por muitos e conseguir tantos amigos”. Carina é mãe de um lindo menino de apenas sete anos e costuma levá-lo a escola e nos passeios de finais de semana em sua garupa. Com isso nota-se que está Cinderela não é apenas um conto de fada como estamos acostumados a ver ou ouvir. Essa Cinderela é um pouco diferente, talvez o oposto do conto, mas com algo incomum, a Cinderela do conto que todos já sabem era muito esforçada e batalhadora como é o caso de Carina. Na sua vida pessoal ela costuma tirar de letra os problemas mais comuns e diz que sua família são todos em que ela confia. “Vale lembrar um ditado: minha vida é um livro aberto, mas para considerar familia, basta ser presente, ou não, pois do meu próprio sangue tenho pouco contato, mais me considero feliz por tê-los como família”, conclui. São por esses, e outros motivos que a batizamos de Cinderela do asfalto. Abaixo você confere a entrevista exclusiva com essa moto girl das ruas e avenidas de Porto Alegre.

ENTREVISTA

Há quanto está na profissão?
Seis anos.

Porque trabalha nesta área?
Por que adoro motos e andar de moto. Alem, é claro, do vício do trânsito e estar sempre na rua resolvendo os problemas das pessoas (clientes) que satisfaz minha alma.

Quais são as maiores dificuldades que encontra no trânsito, no trabalho e na vida?
Trabalho: falta de espaço para as motos (estacionamentos restritos e pagos se ultrapassar geralmente 20 minutos) isso acontece muito dentro de hospitais, faculdades e shoppings. E em algumas vias públicas tem horário, ou não pode de jeito nenhum, por haver parquímetro, mas, depois das 16h não pode botar a moto em tal rua. Daí temos que estacionar longe, causando perda de tempo e correria para próxima entrega. Também existe a falta de união dos motoboys, para exigir seus direitos e ainda lutar para não ser punido pelas autoridades... Digo todas as autoridades, desde seu chefe, ao agente de trânsito, até os políticos, sindicalistas, enfim .... O desgaste emocional, do veiculo, gastos anuais, falta de vida social em fim etc. No transito: desrespeito de motoristas (em geral pessoas abonadas, jovens completamente sem senso, de meia idade completamente estressado pelo trabalho e por isso não larga o celular, se idoso, arrogante e desatento; se mulher ou anda lentamente as de meia idade, ou as jovens, não tem controle o veiculo. Com “profissionais” como motorista de ônibus, taxistas e os próprios motoqueiros, cabe a mim, me defender. Na vida: a solidão, o estresse, falta de lazer, opressão etc.

Você é a favor da frota própria nas empresas?
Sim.

Qual o ano marca e cilindrada da sua motocicleta?
Atualmente, ano 2008 , titan ks 150

Você como profissional da área o que achou dessa verba de R$ 100 milhões que o governo liberou para compra de motos novas da categoria? Vai lhe favorecer? Por quê?
Acho interessante, mas pra mim isso não chega, sou autônoma, não tenho carteira de trabalho nem comprovante de renda, não sou filiada a sindicatos.

O que você sabe sobre a Regulamentação da categoria no seu estado?
Dizem que o projeto ta ai, desde 2006, mas uma minoria é filiada ao sindicato, imaginam ser regularizados. Dizem também que a EPTC não apóia a regularização.

E o que poderia ser feito para melhorar a profissão em sua opinião?
Em 1° lugar união dos motoboys. Em 2° tendo em vista o tal sindicato, deveria chegar mais aos motoboys, na mídia etc.. e realmente brigar pelos nossos direitos, e não impor mais taxas e visar política no meio de tudo isso. Pois de corrupção e impostos o povo e motoboy, já estão lotados. E em 3° é coisa individual, mas que poderia se tornar pra massa geral, é a CONSCIENTIZAÇÃO.. nada de submissão , os advogados (governo) não nos defendem, nos impõe; e o juiz (presidente) não decide, é influenciado. Por tanto se cada um na categoria fizesse sua parte, haveria uma GRANDE REVOLUÇÃO.

Para você, como à sociedade vê o motoboy ou moto girl?
Sujeito sem amor próprio, (pra não dizer suicida), mal encarado (pra não dizer agressivo), acomodado (pra não dizer vagabundo) malandro (pra não dizer arruaceiro) e mal intencionado (pra não dizer ladrão).

Quais seus objetivos pessoais?
Manter-me ativa.

Quais são seus objetivos profissionais?
Ter férias, 13°, fundo de garantia etc, independente em qual área eu trabalhe.

Se pudesse dar um recado para as autoridades sobre a profissão, qual seria?
Juro que daria até pessoalmente se fosse possível, e se a classe fosse unida. Chegaria com caixas cheias de folhas A4 com tudo que todos nós precisamos e queremos escrito ali e diria: Olá, bom dia! AGORA CHEGOU A NOSSA ENTREGA!!!

E para os motoboys e moto girl?
“Bóra galera”, agora é nossa vez!

Se você não fosse motogirl, o que seria? Por quê?
Pelas oportunidades que não tive na vida, uma assalariada, mas se tivesse oportunidades daí seria de tudo um pouco, sem visar o melhor salário, mas sim o melhor prestigio.

 

   
     
 
   
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