Fúria no Trânsito.
Dr. Dirceu Rodrigues Alves



Por que as agressões gestual, verbal e física? Por que tamanho desrespeito ao homem e a vida?
A fúria no trânsito é o somatório do estresse físico, psicológico e social com a direção agressiva acompanhada de distúrbio comportamental e característica própria de cada um, podendo ter agregado doença mental adormecida. Esses componentes estão presentes invariavelmente em todos os conflitos de trânsito e que são estampados na mídia como um fato policial. A explosão de tudo isso acontecerá porque o indivíduo perde a capacidade adaptativa e defensiva e parte para o ataque que pode caracterizar-se por gesto obsceno, palavrões, luta corporal, agressão com artefatos encontrados no meio ou mesmo uso de alguma arma, com consequências desastrosas.
Milhares de vítimas de brigas de trânsito ocorrem em todo o mundo. Na cidade de São Paulo, o telefone 190 da PM recebe em média 30 chamadas por dia para incidentes desse tipo. Estimamos que 15 % a 20 % dos motoristas sejam portadores de doença mental primária e que jamais deveriam ter sido habilitados para a direção veicular. Cerca de 18% não conseguem adaptar-se ao estresse provocado pelo trânsito evoluindo para uma fase defensiva que terminará com as agressões gestuais e verbais. Outros 12% comportam-se evidenciando a direção agressiva, dando fechada, invadindo farol fechado, não respeitando sinalização horizontal e vertical, colando na trazeira, jogando farol alto, buzinando, etc.
Concluímos que 50% dos nossos motoristas necessitam melhor avaliação psicológica e psiquiátrica. Tornam-se intolerantes, repressivos e sempre na posição de ataque. A máquina, sabemos ser perigosa quando fixa. É o jovem que faz racha, que usa o veículo para exibicionismo e eventuais conquistas, é o que xinga, que gesticula de maneira ostensiva, que agride, que da fechada e que é capaz de matar ou morrer em meio ao trânsito tão complexo.
Nem todos têm as condições mínimas para a direção veicular. No entanto não conhecemos casos de reprovação, se existem devem corresponder a 0,05%. Necessitamos, para contribuir na redução dos 40.000 óbitos, 380.000 vítimas e 100.000 sequelados no trânsito, seleção mais adequada com um filtro potente capaz de impedir o acesso e remover aqueles que já dirigem por esse Brasil a fora em condições anormais. Necessitamos de correções na legislação para que a especialidade de psicologia possa ter progressões no seu trabalho ampliando horizonte a ponto de estudar detalhadamente o perfil do candidato com amplo apoio do psiquiatra.
Dr. Dirceu Rodrigues Alves
Dr. Dirceu Rodrigues Alves é Diretor do Departamento de Medicina Ocupacional da ABRAMET
http://www.abramet.org.br / dirceu.rodrigues5@terra.com.br / dirceurodrigues@abramet.org

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