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Motoboys

Motoboys pedem respeito, segurança, solidariedade e passagem, claro!

Motoboys pedem respeito, segurança, solidariedade e passagem, claro!

31/07/2017 23h58 Atualizada há 4 anos
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Por: murillo
Motoboys pedem respeito, segurança, solidariedade e passagem, claro!
[caption id="attachment_13541" align="alignleft" width="300"]Av. 23 de Maio/SP Foto Cláudio Barbosa Av. 23 de Maio-SP [/caption]

Atualmente, trabalhar sobre duas rodas no setor de motofrete brasileiro significa viver em risco constante, a incerteza de chegar em casa à noite e, ainda por cima, ter que lidar com a indiferença e desconfiança da sociedade. Mas, quem vive da profissão garante que a liberdade e o amor ao ofício ajudam a superar os obstáculos.

Importantes para a atual economia, já que somam quase três milhões de trabalhadores em todo Brasil, eles estão por todos os lados no caótico trânsito das grandes cidades levando documentos, pequenas mercadorias, refeições, jornais, revistas, remédios e até sangue, como órgãos vitais. Também estão nos médios e pequenos municípios prestando serviços de entregas nas ruas onde lutam (e desafiam) os perigos, preconceito e por dignidade. Entretanto, por não existir dados oficiais, é impossível saber a quantidade existente e que realmente sobrevivem das entregas rápidas. Porém, se é difícil saber quantos são, fácil saber é que todos sofrem discriminação, já se acidentaram pelo menos uma vez e que contam com pouca solidariedade nas ruas, a não ser dos motociclistas que param para ajudar em caso de acidentes. DSC_0158

Apesar dos riscos, os que possuem carteira assinada tem piso mínimo na maioria dos Estados, recebem aluguel da moto, adicional de 30% sobre o salário, VR, seguro de vida e cesta básica, entre outros benefícios. Os irregulares ou clandestinos vivem à mercê de quem paga por serviços baratos e, em caso de acidentes, ficam a própria sorte. Por mais que se esforcem, “inconsequentes” ou “perigosos”, são alguns dos termos usados pelos motoristas para defini-los.

Respeito acima de tudo. Se existe lei, por que o desrespeito?

Foto 2 - Ilustração - Mat-Capa Ed155Eles perseguem no dia a dia seu sustento, porém, os motoboys querem respeito e ser vistos como profissionais, até porque, desde 2009 a Lei Federal 12009 regulamenta a categoria e dá “cara” ao setor. Para se ter uma ideia da seriedade da lei, existe a obrigatoriedade de realizar um curso de 30 horas do Contran para que o trabalho seja legal.

O motociclista Rogério Sobrinho, 32 anos, que trabalha como motoboy registrado em uma empresa durante o dia, a noite, entrega pizzas no Planalto Paulista, Zona Sul da Capital. Esforçado, é motoboy desde os 18 anos e já viu quase de tudo nas ruas, porém, o preconceito ganha de longe e muitas vezes, sente-se discriminado. “Faço cerca de 15 entregas por dia e umas 25 a noite na pizzaria e, na maioria, as pessoas sequer olham na nossa cara e não entendem que tenho dignidade e orgulho de meu trabalho”, diz com tristeza o motoboy.

Sugestão de CapaSobrinho e outros milhões de motociclistas profissionais enfrentam chuva, o sol, os perigos do trânsito e cumprem horários muitas vezes se arriscando, deveriam, no mínimo, receber tratamento mais digno da sociedade. Motoboy não é vagabundo e sim, trabalhador, por isso, separar o joio do trigo ajudaria melhorar a imagem dos motoboys já que são discriminados por uma minoria que cometem loucuras no trânsito, além de irresponsabilidade.  A regulamentação efetiva do motofrete e a fiscalização da lei federal obrigariam os motociclistas profissionais andarem dentro da lei, identificados através do baú com o número do Condumoto e da Licença Motofrete. Essa padronização, sem dúvida, atribuiria um reconhecimento da profissão como aconteceu com os taxistas de São Paulo que, a partir da regulamentação, tornaram-se referência de bons serviços até fora do Brasil.

Por mais segurança, por mais vidas e sorrisos felizes.

mood_central_peripheral_pnO Brasil registra 12 mil mortes por acidente por ano e, segundo o Ministério da Saúde, os acidentes com motos são responsáveis por um aumento de 115% no número de internações em hospitais públicos. Só no estado de São Paulo, 20 mil motociclistas foram parar nas salas de cirurgia, em 2014, número que cresceu em 2015 e 2016. Outro  levantamento identificou que nos últimos dez anos o número de mortes provocadas por acidentes de moto aumentou 280%. Por ano essas internações custam quase R$ 30 milhões para o SUS (Sistema Único de Saúde). Há uma certa ignorância de todos em relação aos acidentes, tanto motoristas dos automóveis quanto das motos não se entendem e disputam espaços nas vias públicas, muitas vezes, sendo o motociclista a levar a pior. É preciso atenção. Hoje mais de 23 milhões de motos circulam pelo Brasil. Elas representam apenas 26% da frota nacional contra quase 50% dos veículos de passeio e outros 24% divididos entre caminhões, ônibus etc. DSC_0161

Em um desses acidentes, José Maia Aparecido não esquece do chão. Ele caiu no asfalto depois de desviar de um carro e bater em outro. "Foi muito rápido, estava acima da velocidade no corredor, reconheço, desviei de um, mas não consegui do segundo; bati feio, mas, felizmente, nada mais grave que alguns cortes e gesso na perna”, relata.

Foto 3 - Ilustração - Mat-Capa Ed155Aparecido não entrou na estatística de óbitos na capital de São Paulo, mas entre os três últimos anos, cerca de 1.000 motociclistas foram recolhidos sem vida no local dos acidentes. Isso é o número de uma guerra civil e carnificina com causa mais que conhecida: a imprudência. Ela surge de todos os lados com motociclistas novos de carta, o acréscimo da circulação de carros mal conservados com seus motoristas sem reciclagem, o volume de automóveis trafegando diariamente, que ultrapassa a casa dos milhões na capital São Paulo, por exemplo, e, claro, a obrigatoriedade dos motoboys de trabalharem por produção. Por isso, obrigados a acelerar e ainda por cima, muitas vezes em motos desreguladas ou com freios e pneus na lona, acabam criando o cenário ideal para os acidentes.

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As motocicletas vem também adquirindo o status de vilãs e cada vez mais ocupando as ruas das principais cidades brasileiras como meio de transporte rápido, que evita as filas de trânsito, facilita o deslocamento e o estacionamento é fácil. Atualmente, 19% da frota de veículos da capital paulista é composta por motos, sendo que 74% dos pedidos de indenização por morte ou invalidez no trânsito foram por acidentes com motocicletas.  Se aumenta o número das motocicletas em todo Brasil, inevitável também o aumento dos acidentes. DSC_0241O entendimento para o crescimento das mortes é que houve falta de preparo na inclusão da motocicleta no Brasil que foi agravado pela vulnerabilidade dos usuários de motocicletas. Ao que se parece, todos não foram capacitados para dividir o espaço viário de forma segura. A capacitação dos motociclistas foi (e é) básica e ainda conta com grande dificuldade de ser  localizada pelos espelhos retrovisores dos automóveis, ônibus e caminhões. Especialistas defendem que as formas de fazer regredir o número de acidentes passam por adoção de medidas como campanhas de educação específicas, fiscalização constante dos equipamentos de segurança, da velocidade do trânsito, da capacitação dos motociclistas e das pessoas em geral, da fiscalização da Lei Federal 12009 além de esforço conjunto do ponto de vista institucional por parte dos governos e sociedade de capacitação dos usuários de motos e dos demais usuários das vias. O motoboy não pode esperar mais por soluções milagrosas, mas sim, de soluções rápidas e que de fato ajustem entre si o espaço físico e convívio harmonioso entre carros e motos. Solidariedade como fator de inclusão do motoboy na sociedade Fotos Cal- motoboys (14)A frase “Os motoboys são de outro mundo” já foi publicada em grande jornal de São Paulo e, nem de longe, tem validade ou coerência. Os motoboys são daqui, da terra e tem importância fundamental na economia brasileira, afinal de contas, são milhões de entrega por dia. Esta frase, na realidade junta-se a outras que marginalizam uma categoria de trabalhadores sérios, que buscam sustento honestamente e quefazem em média 2,5 milhões de entregas por dia. Os motoboys ainda oferecem para as cidades serviços com maior eficiência, rapidez e comodidade para mais de mais de 2 milhões de pessoas por dia. Somando o que rodam diariamente seria o equivalente a ir setenta vezes na Lua.  O mercado cresce anualmente e movimenta bilhões de reais por ano, mesmo assim, vive a margem da sociedade e sofre com descaso e indiferença. A solidariedade quase não existe da sociedade, apenas em alguns casos. Quando motociclistas profissionais precisam, sua única ajuda vem dos companheiros que dividem os serviços, poluição, e muitas vezes o chão Envolvidos diretamente com a rotina estressante do trânsito, os motoboys desenvolvem formas de convívio entre si e com a cidade, o que desperta, muitas vezes, sentimentos diferentes entre aqueles que compartilham as vias públicas. Percebe-se que os motoboys compartilham comportamento de coragem frente à profissão e aos riscos que aparecem. Elas não só indicam uma tentativa coletiva de colocar à prova os limites individuais de enfrentamento do risco no cotidiano do trabalho como também contribuem para formatar uma imagem favorável. É preciso considerar também que a imagem negativa que os motoboys dizem ter a sociedade em relação a eles é a mesma que pode estar atrapalhando a construção de vínculos de confiança associados à solidariedade entre eles como categoria.
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