Terça, 01 de Dezembro de 2020 20:38
(11) 99349-8698
Tchau

Tchau 2017, bem-vindo 2018

Tchau 2017, bem-vindo 2018

18/12/2017 13h01 Atualizada há 3 anos
14
Por: murillo
Tchau 2017, bem-vindo 2018
Setor do motofrete passou um ano de amargar com crise e diversos obstáculos, mas, também de juntar experiências e renovação de ânimo para tempos melhores. Demissão generalizada no primeiro semestre pelo Brasil também pegou o setor profissional de duas rodas. Nunca, na história do setor, tantos motoboys tiveram em sua carteira de trabalho o carimbo da dispensa. Calcula-se que mais de 10 mil vagas em todo Estado de São Paulo foram fechadas fazendo com que os motofretistas se juntassem aos milhões de desempregados de outras áreas em todo Brasil. Pelo país afora, o problema só não foi pior porque os motoboys encontraram no mototaxi uma forma de amenizar o choque do desemprego. O serviço de condução de pessoas não é novo, mas sempre que aperta no setor de entregas, o transporte de passageiros tem discreto aumento de pessoas trabalhando nele. Na capital de São Paulo, o serviço é proibido por lei, mas um grupo de motoboys desempregados desafia o sistema transportando pessoas. Do outro lado a prefeitura alega que tomará medidas cabíveis para proibir o mototaxi, mas os trabalhadores motociclistas, com as contas chegando em casa e a falta de emprego, desrespeitam a lei, tendo, inclusive, montado até uma associação que terá em breve, segundo um dos fundadores que não quis se identificar, um serviço de aplicativo. Josenaldo Pinto de Oliveira, 47, acha que tem espaço para todos. Que deve haver bom senso e fiscalização. Para ele não é necessário desentendimentos e sim, adequação. Sua passagem por 2017 foi difícil, diz, mas, no geral e apesar das atividades corruptas dos representantes políticos, dá avaliação de 7 para uma escala de 10. “Já ano que vem espero dar 10 de nota e ver menos corrupção, maior produtividade para o Brasil para que assim sejam todos beneficiados” torce o motoboy que há 6 anos faz entregas com motocicletas, e que completa, “Acho que o que pode ser feito primeiramente é a mudança de todo os governantes, que são os principais exemplos da nação, de postura, de comportamento em relações as atitudes inadequadas e corruptas com a quais a maioria vem executando porque com certeza estão dando exemplos ruins”. Se, de um lado não está bom, mas existe perspectiva, do outro, o empresário também divaga entre o bom e o ruim, entre motivação e desmotivação num ano que a corrupção deu o tom das centenas de matérias publicadas pelos jornais. “Esse ano, de um modo geral, foi muito difícil para o povo brasileiro, em especial para nossa classe, que foi muito ruim. Foram muitos ajustes e adaptações para conseguirmos sobreviver”, diz Kely Bonvenuto, 47, da Entregas Rápidas Papaléguas, que fica em Mogi das Cruzes. Segundo a empresária, em 15 anos de atuação no setor, essa foi a primeira vez que pensou seriamente em desistir. Para ela, as mudanças e adaptações de 2017 também teve seu lado positivo, e continuará nessa linha, a das adaptações porque acredita que haverá uma melhora significativa na economia brasileira a partir de janeiro. Na questão da geração de empregos, Kely entende que a reformulação da CLT haverá mais chances de empregos. “Antes éramos muito engessados, agora teremos mais liberdade de tomada de decisão. Eu mesma já senti essa liberdade e empreguei nesse novo perfil. Acho que até as mudanças nas ações trabalhistas serão de ajuda, não pagaremos processos trabalhista para aquele que não merece”, argumenta. Claudio Márcio Jose Barbosa, 45, está na Xboy Service Cidade, São Paulo e tem 18 anos de corre para lá corre para cá, acelera aqui, freia ali. Vez ou outra leva um esbarrão, xingo, que nem sempre devolve e também entende que o ano foi difícil, menos pior do que imaginava em 2016. “Houve sem dúvida uma estagnação no nosso setor e, com muitas empresas fechando as portas, tivemos que nos reinventar para permanecer vivos, pois motoboys são sobreviventes e persistentes”, brinca Barbosa. Para ele, a economia deve se abrir de uma vez e os negócios voltarão a girar para frente, mas também fala que é necessário dar um final nestas operações da Lava Jato, prendendo quem tiver que prender, porque i pais parece estar aguardando a onda final desta operação para voltar a crescer. Quando opina sobre a reforma trabalhista, Barbosa diz que a reforma também tem que chegar no Congresso, deve-se estender ao fim do Bolsa Família e criar novas formas para o trabalhador exercer sua profissão e ser bem remunerado. “Tem que dar a vara não o peixe”, alfineta. Há 22 anos no setor, Fernando Souza, 42, empresário, sabe que 2017 foi um ano de desafios e transformações e que 2018 será promissor para quem vem fazendo planejamento em sua empresa, mas vê com cautela os diversos feriados prolongados, além da Copa do Mundo e eleições. “Nosso país, de um modo geral, está passando por uma grande transformação e espero que em 2018 tenhamos boas chances de mudanças, de melhorias, de leis sendo cumpridas, de mais responsabilidade, principalmente em nosso setor, que é grande gerador de empregos, porém, devido à informalidade atual, mais precisamente por conta dos aplicativos, acabou desestruturando o mercado. Acredito que a retomada da empregabilidade virá com a fiscalização das empresas, com incentivo do governo e com o cumprimento da lei”, informa. Aplicativos dominaram a cena e levantaram sentimentos de amor e ódio As plataformas eletrônicas revolucionaram o setor de motofrete e fizeram a alegria de muitos motoboys quando começaram as atividades. Porém, com o passar do tempo, encolheram preços, aumentaram a jornada de trabalho e despertaram a ira em muitos trabalhadores motociclistas que buscaram seus direitos e foram demitidos. Por outro lado, os que ficaram não tem o que reclamar e alegam estar recebendo nos contracheques cerca de R$ 6 mil mensais, valor bem maior que os dos motofretistas que trabalham em regime de CLT. Essa situação fez com que os sindicatos dos motoboys e dos empresários da cidade de São Paulo se manifestassem com denúncias e paralisações, bem como fossem realizadas audiências públicas na Câmara dos Vereadores de São Paulo e reuniões no Ministério Público do Trabalho e no Ministério do Trabalho. Até a última apuração da Motoboy Magazine, as empresas de aplicativos estavam sendo chamadas pelas administrações públicas para esclarecerem pontos divergentes. Os principais fatos de 2107 que marcaram o setor do motofrete em todo Brasil No início do ano, a esperança para o motofrete em todo país era de tempos melhores e criação de políticas públicas, já que, entra governo sai governo, o motoboy “fica a ver navios”, como dizem os céticos. Na principal cidade brasileira, a eleição do Prefeito João Dória parecia que traria novos ares para a categoria. Passou-se o ano e, se no município paulista nada aconteceu, nas outras cidades estados afora não foi diferente. A boa notícia veio, em janeiro, em âmbito federal, com a diminuição do DPVAT 2017 para motociclistas devido a vários fatores, entre eles, queda, mesmo que momentânea, dos índices de acidente envolvendo motociclistas. Em fevereiro, o então empossado Secretário Municipal de Mobilidade e Transporte Sergio Avelleda, criou com entidades de classe propostas de mobilidade, segurança e educação para serem implementadas na capital para motofretistas e motociclistas convencionais. Mas ficou nisso. Ainda no mês do carnaval, empresários, governo federal e sindicatos discutiram alterações na Lei Federal 12997, que trata da periculosidade. Findou-se o ano e nada de proposta concreta. O terceiro mês do ano, grandes manifestações promovidas por motoboys descontentes com o autoritarismo das empresas de aplicativo, tomaram as ruas de São Paulo. O movimento foi tão forte que o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego tiveram que intervir. Também em ondas de paralisações por todo Brasil devido as reformas trabalhistas, os motociclistas de vários estados também agitaram bandeiras nas ruas e deram o recado da insatisfação. Em abril, sindicatos de motofrete de São Paulo e Rio de Janeiro juntaram forças e fizeram novas denúncias contra as empresas de aplicativos por precarização das relações trabalhistas, já em maio, o Ministério do Trabalho apresentou nova proposta de periculosidade para o Grupo de Trabalho Tripartite formado por sindicalistas, empresários e governo federal avaliarem o documento que poderia alterar texto original de pagamento do benefício a motociclistas profissionais. Desacordos entre as partes fizeram com que nova data fosse marcada para conciliação. Esse mês também gerou indignação dos motoboys por conta da Portaria 60, que ficou conhecida como a Lei do Baú, ser fiscalizada, quando no entendimento do setor, o que deveria ser levado em conta era as exigências da Lei Federal 12009. Entraram em cena sindicatos de motoboys de São Paulo e Brasília que se reuniram com a Casa Civil do Estado de São Paulo, o DetranSP, o Comando Geral da PM de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública também do estado paulista, além do o Denatran (em Brasília), para discutir o fim da fiscalização da Lei do Baú. Antes da virada do ano, uma importante reunião entre sindicalistas do setor do motofrete com o DetranSP e Associação Nacional dos Detrans, marcou um novo ciclo na criação de políticas públicas para motociclistas profissionais. No entendimento do grupo seria preciso consenso sobre a importância da regulamentação do motofrete em todo Brasil. Cientes de que a padronização dos trabalhadores motociclistas é necessária, as instituições pensam em desburocratizar a Lei Federal 12009 para incentivar o setor profissional de duas rodas. Julho marcou o setor profissional do motofrete com formação de agenda positiva na capital paulista. As empresas de aplicativos já estavam dando como terminada a época das manifestações contra elas, mas a uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo em agosto, reacendeu a insatisfação dos trabalhadores contra as plataformas tecnológicas. Agosto, assim como setembro, seguiram com discussões a respeito da regulamentação do motofrete, em setembro, o 58º Encontro Nacional dos Detrans debateu a urgência de respostas para a questão do uso da motocicleta, outubro foi mês  de Salão Duas Rodas, que ficou registrado como o melhor dos últimos anos e, novembro, firmaram-se parcerias para incentivar a regulamentação do setor de Moto Frete na capital entre SindimotoSP e Secretária de Transportes Municipal de São Paulo. A novidade de novembro foi a autorização pela prefeitura de São Paulo para o sindicato dos motoboys fazer todos os serviços do DTP, como emissão do 1º Condumoto e sua renovação, bem como a Licença Motofrete (Placa Vermelha). Dezembro, já se acabando, segue trazendo esperança para a categoria em âmbito nacional, que luta para levar seu sustento e motivação para dias melhores.
Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
São Paulo - SP
Atualizado às 20h33 - Fonte: Climatempo
20°
Chuvisco

Mín. 20° Máx. 29°

20° Sensação
20 km/h Vento
88% Umidade do ar
90% (25mm) Chance de chuva
Amanhã (02/12)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 19° Máx. 29°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.
Quinta (03/12)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 21° Máx. 32°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.
Anúncio
Mais lidas
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio